Diário, diário meu...

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte III

Curtíamos rock. Pink Floyd, Rolling Stones, ...
"Vamos na casa de um amigo meu que tem coleções de discos bons, rock de primeira!"
Era um dos amigos dele de infância. O cara morava com a namorada na casa dos próprios pais. O quarto era inusitado: colchão de casal no chão, alguns quadros na parede, inclusive o famoso dos Beatles atravessando a rua, alguns desenhos feitos pela garota, e muitos discos( na época, só vinil), um som potente!
Sentávamos todos espalhados pelo colchão e em almofadas, curtindo o som até altas horas! Às vezes chegavam mais alguns amigos. Rolavam histórias da adolescência, as aventuras, risadas, bebidas, cigarro, ...
Algum tempo depois de nos conhecermos, ele parou de fumar. Ufa... não suporto cigarros!
Sábado, à tarde: "Vamos fazer um churrasco lá em casa, hoje à noite? Depois saímos para dançar!" Gostei da ideia. Vinho. Carne. Música. Vinho... Logo após, uma passadinha no bar do canalete ( saudades!). Na época era o único e "point" de uma galera. Tomamos uma (?) cerveja bem gelada. Sem pressa, fomos para a discoteca. Lotada! No térreo, som mais calmo, para casais. Mas... subimos. Muito som, agitação na pista... Um copo enorme de caipirinha de vodca... e dançávamos soltos, felizes, leves, ...
De repente, nauseada, fui ao banheiro. Vomitei. Demorei-me até me recompor. Quando vi, ele me esperava na porta do banheiro. Ao ver-me, preocupado com minha demora, deu um passo e... Pra quê?! Dois brutamontes o seguraram, um de cada lado. Seguranças! E desceram as escadas com ele. Eu, atrás, assustada, tentando explicar o acontecido; que ele só estava preocupado comigo. Nada. Postos para fora do local! Inédito! Ainda me aparecem dois ex alunos, pobrezinhos, oferecendo-se para ajudar no que fosse preciso! Agradeci e fomos embora. A pé. Nem sei como chegamos! Deixei-o em casa, peguei a carteira dele para poder pagar um táxi. Sete horas da manhã, toca o telefone e me chamam para saber o que ocorrera, afinal, ele não acordava e estava sem a carteira! Expliquei, então. Que susto, ele estava meio que em coma! Veio o médico e aplicou-lhe uma injeção. Distúrbio neuro-vegetativo. Há menos de 24 horas havia parado de tomar um medicamento, mais a ingestão de tantas bebidas, deu no que deu! Resolveu-se, então, parar com o álcool por um bom tempo.
É incrível como os conhecidos reagem: "Quê?? Tais doente?" "Tá brincando, né?" "Ah, toma uma que já melhoras!" "Água é que faz mal, cara!" e por aí... A pressão é grande!
Superado isso, voltou-se ao normal, mas valeu a lição: Misturar nem pensar!!!
De outra vez, saindo de uma danceteria, resolveu me carregar no colo e... fomos ao chão! A cena deve ter sido interessante para quem a viu. Rimos muito. Minhas meias rasgadas. De resto, tudo bem!
Tudo é lindo com amor! Parecíamos meio maluquinhos, mas apaixonados. Até que encontramos uma música que escolhemos como a "nossa música", quando a ouvimos em uma boate e dançávamos; do Ney Matogrosso, "dizem que sou louco..." é... "Balada do louco"!
O ciúme... ah, o ciúme faz coisas... Era um baile do Clube Ferroviários. Lá pelas tantas, ele resolveu falar-me de uma garota que passava por nós. Ela era noiva, e ele já havia dançado com ela em um baile em que o noivo também estava. Ela o deixava, dizendo ir ao toalete e ia para o salão dançar com outros rapazes. Era bonita e o danado do ciúme roeu-me! "E sabes aquele teu amigo, Fulano? Também já fiquei com ele em um baile!"
"O quê?"
"É, fiquei com ele em um baile e ele também já era noivo."
"Quando isso?"
"Muito antes de nos conhecermos, ora!"
"E por que nunca disseste isso antes?"
"Sei lá! Achei que não irias entender!"
Pronto!
Acabou-se o baile, a noite, ...
A distância até minha casa era grande. E fomos discutindo todo o caminho.
"Mentiste para mim!"
"Não! Foi só por medo de que não entendesses, sei lá, bobeira."
"E o que aconteceu entre vocês?"
"Nada mais além de um beijo!"
"Será?"
"O quê? Agora vou ser mentirosa?"
E por aí afora. É verdade que juramos nunca esconder nada um do outro. Mas, na hora da apresentação é que soube que eram amigos e não consegui falar, nem depois. Sabe, aquelas bobagens do momento, em que depois a gente se arrepende? Aprendi que ou se conta tudo, mesmo, (e é o melhor) ou então cala-se a boca!
Xi, no outro dia, nos vimos e foi ruim. A relação por um fio... ele pediu um tempo.
Chorei, chorei... Perdi a fome, o mundo se acabara. Até rezei muito!
Na terça-feira, à tarde, íamos a um centro espírita kardecista, e estávamos tomando passes. Cheguei e ele virou-se para me ver. Corajosamente, sentei-me a seu lado. Chorei durante a doutrina. Ele pediu-me que o esperasse na saída.
Saímos e ele perguntou para que lado eu ia. Menti que ia para o lado dele, só para não perder a oportunidade, com medo de que ele desistisse de falar comigo. Tremi quando pegou-me da mão e disse que à noite iria lá em casa para conversarmos. Despedimo-nos depois de duas quadras. Tudo foi voltando ao normal, de novo! Foi a nossa grande briga e um momento muito tenso da relação, porém o retorno foi maravilhoso e os nossos laços, parece, que mais reforçados ainda!