Diário, diário meu...

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Encontros e desencontros


Tristeza...
Angústia...
Traços de solidão?
Coração que sangra...
Lágrima que escorre...
Lembrança que dói...
Por quê?
A interrogação que insiste...
A resposta que não sai...
A dor que aperta
O nó na garganta
Olhar no horizonte
Longe, distante
E em volta o vazio
A ausência presente
Constante
Do que se foi
Sem chegar a ser
Sem se completar
Rápido, fugaz...
E tão profundo e denso
Como um oceano
Avassalador
Qual uma onda que a tudo arrasa
E sem tempo de mais fazer-se
Nem de se despedir
Partiu...
levando consigo
Pedaços de mim
Deixando marcas em meu ser...
E agora?
O que faço eu aqui?
O que fazes da tua vida?
Por onde andas?
Meu peito desata em choro a todo instante
Por mim
E por ti...
Será que sofres como eu?
Não!
És forte e obstinado. Invejo-te!
Onde buscas forças?
Deverias ter me ensinado!
Saudade...
Louca saudade...
Não me podes ter
Nem eu a ti...
Na mesma vida
Tanto desencontro...
Tanta impossibilidade!
Estávamos fadados ao desencontro?
Apenas para nos cruzarmos em uma esquina da vida?
E só?
Que destino cruel este nosso!
Que não nos permitiu a vivência de um amor latente
Foi um breve reencontro
Um sopro de lembrança
Reavivando a chama por alguns instantes
E guardando-se novamente em cinzas
Para, quem sabe,
Um dia
Reacenderem
E reviverem
Em sua plenitude
Todo o amor
Não de uma
Mas de toda a vida...

(12/10/2010)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

REFLEXÕES

Só, eu caminho na noite
A chuva cai
insistente, persistente,
Não sei se é melhor a pé
ou se de carro
A pé é frio, muito frio
Mas quem sabe o frio
quem sabe a chuva
no meu rosto
me tragam de volta
à realidade
e me façam parar de pensar
de sofrer...
Estou no carro
em frente ao sinal
A chuva bate forte nos vidros
A noite é escura
somente a luz dos faróis
e a luz vermelha do sinal
são bem visíveis
O pára-brisa trabalha
incessante
No rádio,
uma música antiga e triste
Talvez triste
por me levar ao passado
E os pensamentos me assaltam
A cena é de filme
não sei por que
mas lembra algum filme...
Vontade de ir a lugar
nenhum
Rodar
Rodar
Rodar
e rodar
Sem destino
até cansar
até a exaustão total
Quem sabe
então
depois
deitar-me em cima do carro
e deixar-me
levar
lavar
pela chuva
como se
uma grande paz
ou
renovação
se fizessem em meu ser
para outra ser
(re)nascer
esquecendo
fugindo
ou
(re)aprendendo
a viver
o que é melhor...
(24/08/1997)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte X

Em agosto de 2010, praticamente quatro anos após tudo ter, fatidicamente, mudado nossas vidas, a obra continuava. E ele aqui, em um quarto no térreo.
Fui para a internet, ver se me distraía um pouco. Minha vida se resumia a casa e trabalho. Ele continuava suas saídas uma vez na semana.
Discutíamos muito sobre a educação de nosso filho. Às vezes, tinha a impressão de ter outro adolescente em casa! Ele não suportava alguns amigos do filho e ficava difícil o clima.
Um dia, fui dizer-lhe que minhas amigas comentaram que não sabiam como é que eu aguentava tal situação. Pra quê? Não gostou! Já veio discussão. Ficava pensando que ele se acomodara, só que eu não podia mais ser a mesma de antes! Algo se quebrara dentro de mim. Não consegui nem tocá-lo. Fiquei bloqueada. Mas não tenho vergonha de dizer que muitas vezes, quis loucamente abraçá-lo, fazer um carinho e enchê-lo de beijos! Eu o amava! Fui feliz... Vivíamos um para o outro, até...
Ele foi, é e sempre será o único homem da minha vida! Pensem o que quiserem de mim! Mas foi meu verdadeiro e único amor! A pessoa com quem eu sonhei envelhecer junto!
Já me peguei, outras ocasiões, julgando, criticando mulheres conhecidas que se separavam e que ficavam mais ou menos como estou agora. Achando-as umas bobas! Porém, somente vivenciando a situação para sabermos o que se sente de verdade! Cada um sabe da sua dor! Aprendi a respeitar os sentimentos dos outros mais do que nunca! Sem julgar, jamais!
No final de agosto, ele saiu de casa.
Foi outra dor! É, deu para perceber que toda a minha situação foi dividida em partes, talvez para doer por partes, aos poucos...
Realmente, aí, concretizou-se a separação! E eu estava só! Eu e meu querido filho!
Mais uma estranha sensação... muito difícil. Senti-me mais só do que nunca! Teria de me virar para tudo. Tive de ir me adaptando a essa nova vida; sentia-me um pássaro fora da gaiola, perdida, tentando sobreviver.
Uma amiga me disse que o problema era a falta que fazia um homem para consertar o chuveiro, por exemplo. Eu não sabia se ria ou se chorava. Viver sem um marido era assim...
Algumas vezes, não sabia o que fazer da vida, dos momentos de folga, ...
Mais uma vez a noite me assustava... pensamentos vagando, rolando na cama, saudades, outras vezes um não sei que de liberdade...
Hoje, já estou querendo acreditar que nada é para sempre. Nada!
Passei as férias de 2010 para 2011, maravilhosamente. Vivi como uma adolescente! Dei-me o direito de curtir cada minuto, cada sol, praia, noitadas, amigos, loves fugidios, festas, música, shows... Sentia-me viva novamente! Sentia-me valorizada, mulher, novamente! Para completar, fui ao Planeta Atlântida com meu filho! Coisa que sempre quisera fazer. Foi fantástico!
Em 2011, ficamos mais amigos, sem tantas rusgas. Às vezes, ele frequenta a casa, para ver o filho, mas quase sentia um certo controle de minha vida. Mas deixava passar... Sei que posso contar com ele para o que eu precisar e ele sabe que pode esperar o mesmo de mim.
Ao iniciar 2012, porém, ele me deixou muito triste com um fato bem bobinho, controlando minha pressa ao telefone, amigos que vieram a minha casa, e visivelmente incomodado. Isso me causou um grande desconforto e tristeza. Não sabia se me sentia como uma criança que é repreendida ou como um cachorrinho sarnento que o dono não quer mais, mas que também não quer que ninguém chegue perto! Assim que ele saiu, resolvi que aquilo não estava certo e que ele teria de me ouvir. Telefonei-lhe e disse que parasse de me vigiar, pois era assim que me sentia, vigiada! Que ele fosse cuidar da mulher dele e deixasse minha vida em paz!
É uma pena que seja assim! Faço de tudo para que ele e o filho se entendam bem, se visitem.
Espero que ainda voltemos a nos falar cordialmente. Não suporto ficar de mal com alguém.
É isso aí... a vida segue... como diz o ditado: "o tempo é o remédio para tudo!"
Vou vivendo, trabalhando, saio mais com minhas amigas, bebemos, paquero, danço, leio, faço caminhadas, navego muito pela internet, ...
Ter alguém? Quem sabe? Por enquanto meu coração está tranquilo, nada me balançou, pequenas diversões, apenas...
Também, ainda não sei se valerá a pena ter alguém; sei que sozinha estou muito bem, é claro que de vez em quando bate uma saudade de um carinho, de sair de mãos dadas, ... Espero estar mais confiante, mais alerta para uma nova relação. No fundo, a gente aprende! Um dia, eu disse para mim mesma, que o que não me mata, me fortalece! Acho, até, que isto já foi dito por não sei quem, mas é a verdade! Fui-me reconstruindo, não sei se já estou inteira de novo, me pego, por vezes, em certa nostalgia, choro, também, daí a pouco já passa...
Sei, minha gente, que há um farolzinho brilhando para cada um de nós, e ele nos ilumina para outros caminhos, com certeza...
Até mais!







UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte IX

Foi o pior verão da minha vida, o janeiro de 2010. E tinha tudo para ser o melhor: aluguei uma casa na praia! Meu filho vibrou! Então, pedi-lhe que contasse tudo ao nosso filho.
Ele disse que o menino parecia ter entendido muito bem. Ele contara que houve um "desgaste" na relação. Mas contou tudo.
Quando encontrei com ele na praia, desabafou comigo. Primeiro disse que se sentia enganado, que era o último a saber! Depois, que estava decepcionado com o pai. Ficou muito revoltado. Falava em traição. Não admitia que o pai continuasse em casa, tendo outra pessoa. Que ele era para ter saído de casa, assim que tivesse com aquela mulher! Tive que conversar bastante com ele. Rezamos juntos à noite.
Meu marido (ainda), dizia que eu colocara o menino contra ele. Pois como é que ele se revoltara se na conversa com ele até havia entendido tudo muito bem? Claro, ele estava, o pobrezinho, digerindo tudo aquilo. Tento imaginar que loucura não ficou sua cabeça. Embora com 16 anos, fase difícil para um adolescente, era muito jovem e jamais esperava a separação dos pais.
Em fevereiro, até refugiei-me com ele em casa de uma tia, durante cinco dias, em uma praia quase deserta, em Mostardas. Foi um momento de relax para nossas cabeças!
Na volta, o trabalho e os estudos nos envolveriam.
Quartos separados.
Tentando viver o mais normal possível. De dia, até que dava para evitar os pensamentos. Mas à noite... Ah, a noite é terrível! O silêncio noturno, a cama vazia, os pensamentos pululam... Um desejo de que ao acordar tudo não tivesse passado de um terrível pesadelo. Que nada... a crua realidade me esperava!
Eu não sabia se eu era uma mulher sozinha ou se tinha um marido, já que ele ainda morava conosco. A situação não era muito confortável... Eu ainda não sabia como me comportar nesta nova fase.

UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte VIII

Em 2009, em abril, ele teve de ser operado da vesícula. Na hora em que entrávamos, cedo da manhã, no hospital, toca o celular dele. Estavam lá, também, minha sogra e minha cunhada. Perguntei-lhe quem era. E ele diz o nome daquela que ele jamais esquecera desde 2006! Instantaneamente, as lágrimas me vêm sem que eu pudesse controlar. Então, tudo ficou muito claro em minha mente. Eu havia me esquecido dela! Ainda bem (?) que estávamos afastados da mãe e da irmã dele. Elas não viram nem ouviram nada.
Senti-me ultrajada, traída, idiota, burra, ...
Quando entrou para preparar-se para a cirurgia, ainda fui com ele para ajudá-lo na troca das roupas. Queria sair dali correndo, mas não conseguia...
- Não sei onde é que eu não pude ser mais fiel...
- Não fala nada! - foi o que consegui responder - Não fala nada! - mas chorando sem parar.
Ainda fiquei morrendo de medo que a pressão dele se alterasse e que pudesse lhe dar alguma coisa e eu iria me sentir culpada. Mas que dava vontade de sair dali correndo, dava! Aguentei mais uma vez! Calada! Sangrando no peito, de novo! Deus, como doía! Só eu sei como me doeu!
Saí dali chorando para a sala de espera. Elas não entendiam. E eu não tive coragem de contar nada. Pensavam que eu estava nervosa com a cirurgia.
Cuidei dele no pós operatório. Não comentávamos sobre o ocorrido. À noite, quando ele dormia, eu chorava. Pedia forças a Deus para conseguir aguentar a dor! Nunca desacreditei que existiam seres superiores a me proteger e a quem eu me agarrava com todas as forças para poder me sustentar. Sem a minha fé, teria sido muitíssimo pior. O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, era meu livro de cabeceira. Ainda é. E sempre pensando em meu filho.
De volta para casa. Após alguns dias, foi inevitável não tocar no assunto. Eu me sentia sufocada! Logo seria o aniversário de nosso filho.
- Por que fazer toda essa obra, se já não me querias mais? Por quê?
- Foi pensando em deixar o melhor para vocês!
Discussões, discussões, ...
- Pensei que ela nem existia mais! Me enganaste!
- Não! Nunca te enganei! O que sinto por ti nunca mais vou sentir por mulher nenhuma! És a única amiga que tenho. E sinto algo por ti que não sei explicar É até como se eu fosse um pai teu. Gosto tanto de ti...
- Não quero um amigo! Pai eu já tive! Quero o meu homem, o meu marido!
- Não, não dá!
Soube por ele que, em 2007, enquanto eu achava que era feliz, eles continuaram a se falar por telefone, porque ela saiu do emprego, mas não deixaram de se comunicar. Contou-me tudo, em detalhes!
Após o dia dos Pais, pedi-lhe que revelasse o fato aos pais e à irmã dele. Porque eu não queria receber as felicitações de aniversário de casamento e ter de fingir mais uma vez que estava tudo bem.
Foi um choque terrível para eles. Até me deu medo. Me arrependi, me culpei. E ele dizia que queria contar só depois que a obra de nossa casa estivesse concluída. Não estava nem na metade!
Falei para os meus irmãos. Mas como eu não queria que deixassem de gostar dele, falei apenas que a relação estava desgastada e que ele continuava o bom homem e pai que sempre fora. Nunca chorei ou me lamentei perto deles. Não deixei que sentissem a minha dor. Aceitaram numa boa.
Algum tempo depois, no verão, é que falei para algumas poucas amigas. Acabou-se espalhando. Eu não me importei. O que teria eu para esconder? Ou do que me envergonhar?
Foi um espanto geral, pois todos nos consideravam um casal perfeito...
E a vida é assim...


UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte VII

Final de janeiro de 2008. Ele chegou em casa na primeira hora da tarde. Fiquei tão feliz! Que bom! Sozinhos! Quis aproveitar. Fomos para o quarto. E aí... começou a me rejeitar, meio sem jeito!
- O que foi?
- Não dá, não consigo! Os pedreiros estão lá em cima.
- E daí?
- Não dá!
E ia se esquivando... até que disse:
- Não posso ter relações com alguém que vejo como se fosse minha irmã!
- O quê???? O que é isso? Que bobagem!
- É. É assim que te vejo. Te adoro, mas como amiga, irmã. E não se faz sexo com uma irmã.
Aí, senti o mundo desabar mais uma vez. Briguei, xinguei, chorei demais. Senti-me a última das mulheres, rejeitadíssima. Doeu! Doeu tanto...
Depois disso, ele falou que sairia uma vez por semana com alguns colegas do serviço para jogar (coisa que nunca fizera antes), ou dar alguma volta pelo centro da cidade, após a saída do trabalho. Antes de tudo, saíamos correndo para casa para ficarmos juntinhos... Agora...
Que ninguém me pergunte como é que eu continuei a viver, pois nem eu sei! Só pensei que tinha um filho para criar e a quem eu amava demais. Meu tesouro! E rezava e pedia a Deus forças para me ajudar a viver pelo meu filho amado.
E desse modo eu ia vivendo. Trabalhando e procurando não pensar muito. Meus alunos não imaginavam como me ajudavam! Com eles eu me esquecia um pouco dos meus problemas. Dar aulas era até uma terapia para mim. Eu me envolvia de corpo e alma. Sempre gostei de minha profissão, e, agora, me dedicava mais ainda, para fugir dos tristes pensamentos. Meus queridos alunos, como foram importantes para mim!!!! Mais tarde, fui convidada, pela segunda vez, para fazer parte da vice-direção da escola, e foi em um dos momentos muito críticos de minha vida que acabei aceitando, pois não teria condições de dar uma boa aula, tal era a situação depressiva em que me encontrava... neste cargo eu teria muitas atividades para me ocupar bastante! Despedi-me de meus alunos com pesar, já que nos dávamos muito bem! Pedi que não me abandonassem no orkut, no msn, e que me visitassem na nova sala! E eles correspondiam! Há muito que aprendi que nada é por acaso... e a cada dia que passa mais me convenço disso!
Porém, às vezes, era difícil levar a vida. E só me restava chorar às escondidas. Consoláva-me dizendo para mim mesma que ele, talvez, só fosse em alguma prostituta, nada fixo... sim, porque de início, ingenuamente, acreditei que ele ia jogar, mesmo. Depois, dei-me conta da minha burrice: homem sem sexo?
Eu pensava que poderia ser normal em muitos casamentos, os homens que saíam para procurar sexo fora. Criei uma "normalidade" para me confortar, talvez. E fui levando...


UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte VI

Claro que o tempo passa! Nós passamos. Mudamos. Ninguém é perfeito o tempo todo. E nem sempre concordamos em tudo. Coisas normais entre pessoas que vivem juntas.
Havia muito trabalho, muita obra na casa.
Meu pai adoeceu seriamente. Nosso filho passou por problemas de saúde. Meu marido quebrou a perna em um jogo. Tudo ao mesmo tempo! Aprendi, forçosamente, a dirigir.
E passam os anos. Obras. Casa aumentada. Não saíamos quase, mas éramos felizes se podíamos estar juntos. Confesso que às vezes me queixava ou lamentava não viajar ou sair à noite para dançar, por exemplo. Depois, acabava me resignando.
Nestas voltas da vida, perdi meu pai. E no ano seguinte, minha tia muito querida. Senti-me mais órfã do que nunca!
Engordei. Emagreci. Engordei de novo.
Entrei em uma fase de não gostar muito de mim. Mas sentia-me sem forças para reagir. Com vergonha, raríssimas vezes tomava iniciativa em relação ao sexo. Ele sempre demonstrava querer-me.
Com o tempo, a relação foi se minimizando. Sentia-me carente, mas não deixava transparecer. Achava que ele não iria me querer. E me afastava. Continuávamos muito, muito amigos. E era isso! Embora, discussões ocasionais ocorressem e o stress, vez ou outra, pesasse. Os assuntos giravam em torno de coisas externas a nós, nada sobre como nos sentíamos por dentro. De vez em quando, surgia uma certa cobrança de carinho... Percebia-o distante. em alguns momentos, mas dizia estar cansado, que eram incomodações do trabalho.
Um dia, em setembro de 2006, enquanto tomávamos chimarrão no jardim, ele relatou:
- Parece que somos irmãos!
Aquilo me incomodou! Havia meses que não nos relacionávamos sexualmente. E não demorou muito para que eu lhe perguntasse o que é que havia. Percebia que ele andava com o olhar distante, distraído, nem escutava quando eu falava. E a resposta mais dolorida que eu poderia ouvir:
- É uma mulher!
- O quê?????
- Não tenho nem nunca tive nada com ela! Nunca te traí! Mas parece uma obsessão, já tentei de tudo. Até licença do serviço tirei, mas não consigo para de pensar nela.
- Mas como??
Eu estava zonza. Foi como se eu tivesse levado uma forte sacudida. Aquilo não poderia estar acontecendo! Era tão surreal!
- Como????
- Foi acontecendo. Conversa vai, conversa vem. Trabalhando juntos. Estava carente, ficamos meses sem sexo. Ela falando dos seus problemas... Quando vi, estava falando dos meus. Fui até grosseiro, fazendo proposta para transar com ela, que não quis.
- Meu Deus!!!!!!!! Que pesadelo!!!!!!!! - era só o que eu podia pensar.
Quase morri! Chorei muito! Noites e noites sem dormir! Ele pensando em sair de casa. Sentia o chão desabar sob meus pés. Tudo ruindo! A vida estava insuportável! Ah, se não fosse pelo meu amado filho, não sei que loucura não teria feito, meu Deus!
Como o quarto do meu filhinho era no andar de cima e ele ficava muito distraído no computador, nem sonhava o que se passava no térreo! Escondi tudo o que pude para não fazê-lo sofrer! Chorava escondida no banheiro ou num quarto que havia nos fundos da casa. E lá eu passava a noite, sozinha, chorando, depois que meu anjinho ia dormir.
Minha vida estava um caos. Discutíamos muito. ele dizia que chegara a pensar que eu não o amava mais. Chorei, implorei, rastejei! Jurei a mim mesma que o reconquistaria. E calei. Não contei nada a ninguém! Aguentei tudo, toda a minha dor, sozinha! Sangrava como se espinhos me rasgassem por dentro, de tanta dor! Mas eu não queria que ninguém mais sofresse.
Quando no final do ano, tenho plena consciência de que o ouvi dizer:
- Falei com ela e disse que nos acertamos e que ela fizesse o mesmo com o marido dela.
É, ela era casada, também. Havia quatro anos, apenas. Nós, dezesseis anos. Era jovem, 24 anos. Eu e ele, 44.
Em 2007, senti-me tão bem! Parecia que tudo havia voltado ao normal. Reavivamos nossa vida sexual. Eu estava tão feliz! Agradecia muito a Deus por tudo!
Vendemos a casa e compramos outra perto dos meus sogros. Já estavam com bastante idade e o pai dele quase sem caminhar. Mudamos no dia 29/12/2007.
Novamente, convivendo com obra. Resolvemos fazer os quartos em cima, pois era uma casa pequena.

UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte V

Encontros furtivos, cheios de medo e de muito amor e paixão! Assim nos amávamos! Eu era dele e ele também, completamente meu!
Após quatro anos de namoro e de noivado, escolhemos o dia 08/12/1990 para data de nosso casamento. No dia 07/12, casamos no civil, pois no dia 08 seria feriado para Justiça e só poderíamos casar no religioso. A juíza e o escrivão foram lá em casa para realizar a cerimônia civil. Comemoramos com um almoço para os padrinhos. Ele foi embora com a família dele e nos veríamos no dia seguinte, na Igreja do Salvador!
Foi lindo! Um momento único! Mágico! Meu marido me esperava no altar! Lindo! Nossa música: "Starway to Heaven", do Led Zepellin, ao piano. O mesmo pianista do casamento dos meus sogros!
Veio a festa no Clube Cruzeiro (hoje extinto, uma pena, pois era um lugar lindíssimo).
Que sensação estranha experimentei ao dizer "minha casa". Sim, era uma nova vida. Minha casa, meu marido, meu lar! Queiramos ou não, ainda temos a "mania" de posse, do "meu"... Deixei-me degustar desse novo prazer, já que, até então, nada tinha de meu, pois que vivera boa parte de minha vida com uma tia... mas isto é outra história...
Fizemos uma viagem curtinha de lua-de-mel a Veranópolis, mas cheia de romantismo, carinho.
Em casa, tínhamos um jardim lindo, com um banco branquinho, onde curtíamos um chimarrão nos fins de tarde. Um quintal imenso, cheio de plantas e de rosas. Da churrasqueira, peça toda envidraçada, admirávamos as flores. Durante muitos invernos, uma lareira, dividindo a sala de jantar da sala de estar, nos aqueceu!
Fomos fazendo melhorias na casa, até deixá-la ao nosso gosto. Foram anos com obras. Bastante sacrifício. Tudo para termos mais conforto. Obviamente que valorizava o imóvel.
E, após três anos, ganhamos um presente de Deus: nosso filho! Sim, mais uma realização de um homem. Senti-me a mulher mais realizada do mundo! Tinha um filho! Lindo, saudável. Graças a Deus! O nosso tesouro!



UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte IV



UMA HISTÓRIA DE AMOR - Parte IV
Tudo fazíamos e combinávamos juntos. Quando ele pagou o consórcio de uma moto, optamos por comprar um carro: um fusca branco. Nossa primeira grande conquista! O carro era o conforto!
Pelo rumo que as coisas tomavam, meus sogros disseram, para nossa imensa alegria, que nos dariam a casa que estava alugada, para morarmos após o casório!
Bem, a casa já tínhamos... Aos pouquinhos íamos comprando os móveis.
Dia do meu aniversário, almoço lá em casa. "Vamos dar uma voltinha antes do almoço?" Quando chegamos à praça (Xavier Ferreira) que era perto de casa, ele me dá uma caixinha. "Meu presente", pensei. Jamais imaginaria, naquele instante, que seriam duas lindas alianças! Ficamos noivos no dia do meu aniver! Que fofo! Que romântico!
Ah, atenciosíssimo! Carinhoso, gentil! Trazia-me flores com frequência. Colhia rosas do quintal de casa, para mim! Que homem!
Bom, no período de férias em que fiz minha pós-graduação, para que eu estudasse, pois quase desisti, ele até aprendeu a fazer uma manta de tricô! Era engraçado: eu estudava e ele tricotava! Parávamos para uns beijinhos e um lanchinho e... volta às tarefas.
Pontualidade era com ele. Podia chover "canivete", mas se ele marcou, ele ia! Aprendi a conhecê-lo assim, desde o dia em que me esperaria em um bar, no caminho entre a Universidade e a minha casa. Só não contava com a chuva na saída da aula. Fui-me para casa e não passei no bar (ainda nem se falava em celular!). E aí? No outro dia, a cobrança:
- Te esperei, por que não foste?
- Mas e a chuva? Achei que não estarias mais lá...
Ficou muito chato! Ele era de palavra!
Resolvemos, um dia, juntos, plantarmos uma árvore na praça! Naquela praça! Gravamos nela a data e as nossas iniciais. Alguns anos depois, percebemos que ela não estava mais lá... Na verdade, ela ficara abafada entre duas árvores grandes. E não se desenvolvia.
Ouvimos, então, que um homem tem de plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho para realizar-se. Veio o livro. Em parceria com um amigo. Lindas poesias e uma, lindíssima, dedicada a mim! Nela, ele descrevia uma trajetória do nosso amor até ficarmos bem velhinhos. Amei! Que mais eu poderia querer? Meu Deus, eu tinha o homem que eu amava aos meus pés! Como eu era feliz!
Eu amava um homem simples, de coração puro, honestíssimo, verdadeiro, carinhoso, bondoso, trabalhador. Lindo e que me amava ! Que me ensinou tanto! Que me compreendeu! Que me mostrou um mundo novo! Que me mostrou o que é o amor! E que me fez amar com toda a minha alma. E a ele me entreguei toda! Completamente!